
Antes não se conheciam
assim mesmo não se gostavam
Alguém de uma forma estranha os aproximou
Aos poucos foram se encontrando
Julgaram, julgaram, aos quatro ventos falaram
Da quase raiva foram ao amor eterno
Em pouco, pasmem, se conheciam de outras vidas
Trocaram juras de amizade,
contaram versões das suas verdades
riram por dentro omitindo indelicadezas
Muita festa, palmas para a noite
muita comida, vivas ao cozinheiro
muitas vidas, muitos segredos
muitas saídas, nenhum destino
muitos cochichos, vários degredos
E assim viveram, assim fingiram
seus defeitos de outrora se perderam
apenas virtudes prevaleceram
entre o brilho dos copos e talheres
muitas coisas não se explicaram
Como foi mesmo que se encontraram?
Por onde anda mesmo aquela pessoa?
Ah, não sei.
Só o que sei é que alguém a julgou.
Só sei é que para ela, todos defeitos alguém deixou.
Marcelo Larrosa
04/05/05
