
Eu vejo a luz
Um reflexo no cuspe esparramado
Todas as almas arrancadas de suas visões
perambulam arrastando
suas correntes carregadas
de dor e fome
Correntes carregadas
de desejo e paixão
Um reflexo esparramado
em seus sonhos arrebentados
Fortes como a fumaça
É claro que vejo a luz
nos buracos de meus olhos
Vivos e mortos no espelho
quebrado na raiva
Pálidos profundos sentimentos
Contra tudo que temos passado
Lúcidas lembranças da embriaguês
que embarcaram naquela viagem sem escalas
Até o asfalto das ruas
Marcelo Larrosa
7/1985
